Sunday, July 25, 2004

HISTÓRIA

HISTÓRIA Em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, Rio de Janeiro, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspecto sobrenatural: o jovem Zélio Fernandino de Morais, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar de forma alguma, certo dia ergueu-se do leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada, antes, lhe tivesse tolhido os movimentos. Contava apenas 17 anos e destinava-se à carreira militar da Marinha. A medicina não soube explicar o que tinha ocorrido. Os tios, que eram padres católicos, foram colhidos de surpresa e nada esclareceram sobre a misteriosa ocorrência. Um amigo da família sugeriu, então, uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida por José de Souza, na época. No dia 15 de novembro de 1908, o jovem Zélio foi convidado a participar de uma sessão, e o dirigente dos trabalhos determinou que ele ocupasse um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior à sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor", e retirou-se da sala. Pouco depois, voltou trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa. Essa atitude insólita causou quase um tumulto. Restabelecida a corrente, manifestaram-se espíritos que se diziam de pretos escravos e de índios ou caboclos, em diversos médiuns. Esses espíritos foram convidados a se retirar pelo presidente dos trabalhos, advertidos do seu estado de atraso espiritual. Foi então que o jovem Zélio foi novamente dominado por uma força estranha, que fez com que ele falasse sem saber o que dizia. (De acordo com o depoimento do próprio Zélio à revista Seleções de Umbanda, em 1975). Zélio ouvia apenas a própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitar a comunicação daqueles espíritos e por que eram considerados atrasados - se apenas pela diferença de cor ou de classe social que revelaram ter tido na ultima encarnação. Seguiu-se um diálogo acalorado e os responsáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio e desenvolvia uma argumentação segura. Um dos médiuns videntes perguntou, afinal: "Por que o irmão fala nesses termos pretendendo que essa mesa aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? E qual é o seu nome, irmão?" Respondeu Zélio, ainda tomado pela força misteriosa: "Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa desse aparelho (o médium Zélio) para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados ou desencarnados. E, se quiserem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim ““.Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?", perguntou com ironia o médium vidente; ao que o Caboclo das Sete Encruzilhadas respondeu:” Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei “. Zélio de Morais contou que no dia seguinte, 16 de novembro, ocorreu o seguinte: "Minha família estava apavorada. Eu mesmo não sabia o que se passava comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta da mesa onde se praticava um trabalho para mim desconhecido. Como poderia, aos 17 anos, organizar um culto? No entanto eu mesmo falara, sem saber o que dizia e porque dizia. Era uma sensação estranha, uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer passava pelo meu pensamento". "E no dia seguinte, em casa de minha família, na rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, ao se aproximar à hora marcada - 20 horas - já se reuniam os membros da Federação Espírita, seguramente para comprovar a veracidade do que fora declarado na véspera; os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e, do lado de fora, grande número de desconhecidos". Às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que se iniciava, naquele momento, um novo culto em que os espíritos de velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica desse culto, que teria por base o Evangelho de Cristo e, como mestre supremo, Jesus. Deu, também, o nome desse movimento que se iniciava; disse primeiro allabanda (ou um dos presentes assim anotou), mas, considerando que não soava bem a sua vibratória, substituiu-o por aumbanda, ou seja, umbanda, palavra de origem sânscrita, que se pode traduzir por "Deus ao nosso lado" ou "o lado de Deus". Muito provavelmente ficou o nome umbanda, e não aumbanda, porque alguém anotou a palavra separadamente (a umbanda). Sobre o assunto, diz Ramatis, no livro A Missão do Espiritismo: "A palavra AUM é de alta significação espiritual, consagrada pelos mestres; BANDHÃ, em sua expressão mística iniciática, significa movimento incessante, força centrípeta emanada do Criador. A palavra AUMBANDHÃ, pronunciada na forma de um mantra, aproxima-se melhor da sonorização OMBANDA, sendo ajustada à doutrina de Umbanda, praticada no Brasil". Voltemos ao relato de Zélio: "A casa de trabalhos espirituais, que no momento se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o Filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda e de conforto". "Ditadas às bases do culto, o caboclo passou à parte prática dos trabalhos, curando enfermos. Antes do final da sessão, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas”. Nos dias seguintes, verdadeira romaria se formou na casa de Zélio. Enfermos vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cujas manifestações haviam sido consideradas como loucura, deixaram sanatórios e deram provas de suas excelentes qualidades mediúnicas. Estava criada a Umbanda no Brasil. Em 1935 estavam fundados os sete templos idealizados pelo caboclo das Sete Encruzilhadas, coroando de êxito o que nos parece ter sido um dos movimentos, entre outros semelhantes e não registrados, mais importantes da criação da Umbanda no Brasil. Zélio desencarnou em outubro de 1975, aos 84 anos de idade. De seu trabalho resultou a Umbanda de hoje, que abrange cerca de 30 milhões de adeptos, segundo estimativas apresentadas no 2o Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Lagos, na Nigéria, pelo professor René Ribeiro, da Universidade Federal de Pernambuco, que demonstrou que a Umbanda era a religião que mais crescia no Brasil. O professor Ribeiro baseou-se em dados do IBGE. É uma religião brasileira do século XX, formada a partir dos cultos africanos que foram sendo modificados pela influência do índio, pela influência católica, pela influência espírita e, por último, pela influência do ocultismo europeu e da filosofia oriental. ETAPAS HISTÓRICAS E CAUSAS DO SINCRETISMO 1a etapa: africana Os cultos africanos, passo inicial da formação da Umbanda, foram extremamente influenciados pelos povos que dominaram a África desde 900 a.C.. Os egípcios, indianos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos, etc., deixaram "marcas" de sua influência nos chamados "puros" cultos africanos. Podemos exemplificar citando o turbante (origem indiana), o pano da costa (origem árabe) e a figa (origem turca) como sinais lógicos da presença desses povos dominadores. 2a etapa: escravatura no Brasil de 1530 a 1888 A formação da Umbanda no Brasil começa por volta de 1530 com a escravatura desordenada e em massa de diversos cultos, nações e línguas de negros africanos, ocasionando uma mistura de concepções religiosas. Como fatores marcantes dessa etapa, podemos citar: Ø Mistura de cultos de angola, congo, bantos, nagô, quêto, malê, etc. Ø Falta de mestres de culto entre os escravos; Ø Conhecimento apenas parcial dos rituais e iniciações; Ø Fugas e formação de quilombos; Ø Formação das "bandas" (grupamentos de negros e índios que "rezavam na mesma cartilha"); Ø Falta dos apetrechos rituais africanos, o que obrigou a assimilação dos apetrechos rituais dos índios; utilização da sabedoria indígena no que concerne à magia do sertão e à utilização das ervas medicinais brasileiras; Ø Falta dos apetrechos rituais africanos, o que obrigou a assimilação dos apetrechos rituais dos índios; Ø Utilização da sabedoria indígena no que concerne à magia do sertão e utilização das ervas medicinais brasileiras; Ø Imposição do catolicismo pelo colonizador português, o que ocasionou o sincretismo dos orixás com os santos da igreja católica. Ø Dessas duas etapas, a Umbanda herdou, basicamente, o culto a alguns orixás, a utilização dos atabaques como instrumento ritual e o uso de plantas e ervas medicinais brasileiras. 3a etapa: influência espírita de 1888 em diante O espiritismo chegou ao Brasil por volta de 1873 e contribuiu, na formação da religião umbandista, com sua influência doutrinária e explicativa dos fenômenos mediúnicos, do karma, da reencarnação, do conceito de espírito-guia e da evangelização da religião através do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Kardec. 4a etapa: ocultismo e filosofia oriental O ocultismo chegou ao Brasil em torno de 1930 e, entre outras contribuições, legou a Umbanda a utilização da vibração dos metais, das pedras preciosas e semipreciosas e da numerologia. Finalmente, temos a influência da filosofia oriental no que diz respeito à aura, aos chacras, às imantações e no reforço dos conceitos de karma e reencarnação que já tinham sido adotados através do espiritismo. A influência oriental é quase um retorno às origens, uma vez que as grandes religiões modernas têm sua origem no oriente, principalmente no antigo Egito, no Tibete e na Índia, berços do profundo conhecimento religioso e filosófico oriental. Fecha-se o círculo e surge a Umbanda, produto de concepções religiosas de muitos povos e nações, orientada dos planos espirituais superiores, que visa o bem-estar físico, mental e espiritual dos seus filhos e daqueles que a procuram. A Umbanda é, portanto, o produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação, em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e das crenças dos negros, do branco e do índio. Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de baixo espiritismo, "macumba" e magia negra, era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado dos planos espirituais superiores, feito pelos espíritos que se apresentavam como caboclos, pretos-velhos e crianças. O termo Umbanda, que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente, é um termo sagrado que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus. Muitas pessoas perguntam por que as entidades se apresentam sob as formas de caboclos, pretos-velhos e crianças. Mas se observarmos bem veremos que esses são tipos de fácil identificação popular, representando as faixas etárias do homem e modelos de comportamento, como mostramos abaixo: Tipos Faixa etária Comportamento Pretos-velhos velhice Prudência e humildade caboclos adulto Vigor e pujança crianças infância Inocência e pureza Aqueles que já conseguiram erguer um pouco o véu do conhecimento e encontrar meios para o seu aperfeiçoamento espiritual devem partilhar, até onde é possível, aquilo que descobriram e adotaram como verdade. O que já alcançamos, embora nos pareça pouco, representará muito para os que nada têm e vivem debatendo-se em crenças errôneas, angústias, ignorância e preconceitos, procurando dignidade, sentido e coerência para o seu caminho espiritual. Estamos preocupados com os que caminham tropegamente pelos atalhos, procurando a mesma estrada que já encontramos, e a estes é dedicado esse pequeno trabalho. Talvez o tempo perdido batendo em portas falsas venha a desiludi-los de tal modo que não mais acreditem num portal que lhes seja aberto por alguém de boa vontade. Nossa missão é, portanto, aqui e agora. A herança mais valiosa que poderemos deixar nessa existência será o grau de aperfeiçoamento e conhecimento que tivermos conseguido e transmitido ao nosso semelhante. A intenção dessa página, que reúne parte dos assuntos ministrados em aula aos membros do Templo e Escola Umbandista Luz de Aruanda, é a de ser uma pequena semente que, se Oxalá permitir, germinará no interior de alguns e se transformará numa grande árvore de conhecimento. Torna-se difícil conceituar, em poucas palavras, as bases principais da Umbanda que praticamos e cada aspecto será desenvolvido posteriormente com riqueza de detalhes. Mas, fundamentalmente, a nossa Umbanda se baseia: Ø na existência de um Deus, Único, incognoscível, Criador, Onipresente, origem de todas as vibrações; Ø Na existência de Jesus, o Cristo, a quem chamamos Oxalá, modelo de perfeição e conduta que buscamos alcançar; Ø Na existência de vibrações no Universo que denominamos Orixás; Ø Na existência de entidades espirituais que se encaixam nessas vibrações; Ø Na existência de planos espirituais de evolução; Ø Na existência do espírito, sobrevivendo ao corpo físico do homem, em caminho de evolução e buscando aperfeiçoamento; Ø Na reencarnação e na lei kármica de causa e efeito; Ø Na prática da mediunidade sob as mais variadas apresentações, tipos e modalidades; Ø Na prática da caridade material e espiritual como meio de evolução; Ø Na crença de que o homem vive num campo de vibrações que influem em sua vida e que essas vibrações podem ser manipuladas quer para o seu próprio bem, como fazemos, ou para o seu próprio mal, como combatemos. Tudo isso é Umbanda, religião de fé, luz, caridade, esperança e, primordialmente, de amor ao próximo.
OS ORIXAS DE UMBANDA
O GUIA E OS PROTETORES Todo médium de Umbanda possui um e somente um guia. O guia é a entidade responsável pela faixa vibratória do médium; é aquele que comanda e autoriza o trabalho espiritual das outras entidades que, porventura, o médium incorporar, e pode ser um (a) caboclo (a) ou um (a) preto (a)-velho (a). As demais entidades do médium são chamadas de protetores. O guia nem sempre se apresenta no início do desenvolvimento mediúnico do aparelho. Às vezes, outra entidade, chamada desenvolvedora, se apresenta e desenvolve o aparelho até que ele tenha boas condições de sintonizar a vibração do guia chefe. Só após ter certeza da presença do guia chefe, confirmado pelo pai no santo, é que o médium poderá realizar o ritual de Feitura no Santo, onde ele assume um compromisso definitivo com a religião umbandista. IANSÃ Iansã, a Senhora dos Ventos e das Tempestades, a Deusa Guerreira. Seu filho é conhecido por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro. Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura. Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. Ciumento demonstra um certo egoísmo porque não se importa com que os outros sofram pelo seu gênio reconhecidamente mal-humorado. É leal e objetivo. Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social. Por ser tão marcante seu gênio, se este fosse controlado, o que não é difícil, seria pessoa muito mais feliz e querida.Para definir bem a influência dos orixás nas pessoas vou contar uma estória engraçada: eu explicava para um grupo as influências dos Orixás nas pessoas. Simulei um fato. Duas pessoas brigando. Passando um filho de Ogum, ou ele passa direto e nem olha, ou já vai se meter na briga. Um filho de Xangô para, fica olhando, e já começa a reclamar. Coitado do baixinho! Por que será esta briga? Acho que aquele alto não tem razão. E pior, nem sabe brigar. É um fraco. E fica questionando. Um filho de Oxóssi para, senta no chão e, rindo, fica assistindo e se deleitando com a briga. Deu a entender ter terminado. Achei sugestiva sua explicação. Alguém indagou qual seria o comportamento das filhas do povo da água. Diante da minha negativa, alguém se propôs a completar. Bem, disse, uma filha de Iemanjá chamaria os dois, colocaria suas cabeças em seu colo e os acalmaria recomendando paz. Uma filha de Iansã já reclamaria e chamaria a polícia. E parou. De propósito, o esperto. Bem, perguntou alguém, e uma filha de Oxum, que faria? Nada, respondeu. Nem poderia. Os dois estavam brigando por causa dela... IEMANJÁ Iemanjá, a Senhora do Mar. A grande força, com indiscutível domínio no gênio e personalidade de seu filho. O fato de Iemanjá ser a Criação, sua filha normalmente tem um tipo muito maternal. Aquela que transmite a todos a bondade, confiança, grande conselheira. É mãe. Sempre tem os braços abertos para acolher junto de si todos aqueles que a procuram. A porta de sua casa sempre está aberta para todos, e gosta de tutelar pessoas. Tipo a grande mãe. Aquela mulher amorosa que sempre junta os filhos dos outros com os seus. O homem filho de Iemanjá carrega o mesmo temperamento: é o protetor. Cuida de seus tutelados com muito amor. Geralmente é calmo e tranqüilo, exceto quando sente-se ameaçado na perda de seus filhos, isto porque não divide isto com ninguém. É sempre discreto e de muito bom gosto. Veste-se com muito capricho. É franco e não admite a mentira. Normalmente fica zangado quando ofendido e o que tem como ajuntó (o segundo santo masculino) o orixá Ogum, torna-se muito agressivo e radical. Diferente é quando o ajuntó é Oxóssi. Aí sim, é pessoa calma, tranqüila, e sempre reage com muita tolerância. O maior defeito do filho de Iemanjá é o ciúme. É extremamente ciumento com tudo que é seu, principalmente das coisas que estão sob sua guarda. OGUM Ogum é o Orixá da guerra, da demanda, da luta. Seu filho carrega em seu gênio todos os seus característicos. É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento. A sua impaciência é tão marcante que não gosta de esperar. É afoito. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Uma marca muito forte de seu Orixá, é tornar-se violento repentinamente. Seu gênio é muito forte. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Leal e correto, é um líder. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza, falsidade e a falta de garra. O ?difícil? é a sua maior tentação. Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Quando ele consegue esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor. OXALÁ - A VIBRAÇÃO SUPREMA Oxalá é o Orixá maior de Umbanda. Dessa vibração suprema se originam todas as outras e ela está presente em todos nós e em todas as vibrações. Está sincretizada em Jesus Cristo, o homem que por sua perfeição e conduta conseguiu alcançá-la e sintonizá-la, porque foi educado e preparado para isso. As escrituras relatam o já conhecido nascimento de Jesus na Palestina. Ele foi instruído no conhecimento das escrituras hebraicas e seu fervor religioso e sua espiritualidade natural o levaram a consagrar-se à vida religiosa e ascética. Depois de uma permanência em Jerusalém - onde revelou extraordinária inteligência e ardor em se instruir - foi enviado ao deserto da Judéia para aí ser educado numa comunidade essênia. As tradições ocultas e místicas relatam que, aos dezenove anos, ele entrou para um mosteiro essênio, mosteiro esse muito freqüentado pelos sábios que iam da Pérsia e das Índias para o Egito e onde havia uma biblioteca magnífica de obras ocultas. Deste asilo de erudição mística, Jesus transportou-se mais tarde para o Egito. De posse da sabedoria oculta que era a alma da seita essênia, ele recebeu, no Egito, a consagração que o preparou para o sacerdócio real que deveria atingir mais tarde. Sua pureza sobre-humana, sua imensa devoção eram tais que, na sua mocidade, ele já se elevava acima dos seus pares, derramando sobre os judeus severos que o rodeavam sua grande sabedoria acompanhada de ternura e suavidade. O encanto dominador de sua imaculada pureza envolvia todo o seu ser numa aura radiante, e suas palavras, embora raras, transmitiam sempre amor e doçura. Jesus viveu, assim, durante 29 anos de sua existência, crescendo em graça e aperfeiçoamento espiritual. Essa pureza excepcional e essa altíssima espiritualidade tornaram Jesus - homem e discípulo - digno de servir de templo e habitação a um Poder Maior, a uma Presença Imensa. Tinha chegado a hora em que se ia produzir uma dessas manifestações divinas que, periodicamente, vêm ajudar a humanidade a apressar sua evolução espiritual já que surgia no horizonte uma nova civilização: os séculos iam dar nascimento ao mundo ocidental. Um poderoso "Filho de Deus" encarnara-se na Terra, um Instrutor Supremo, um Ser no qual habitaria, no ponto mais alto, a sabedoria divina, uma torrente de Luz e Vida abundantes, uma fonte de onde jorraria em ondas o amor e a paz supremos. Essa época é assinalada, nos Evangelhos, pelo batismo de Jesus, como, por exemplo, em Lucas III, 21 e 22: "... depois de batizado Jesus, e estando em oração, abriu-se o céu. E desceu sobre ele o Espírito Santo em forma corpórea como uma pomba, e soou do céu uma voz que dizia: Tu és meu Filho especialmente amado; em Ti é que tenho posto toda a minha complacência". Podemos, com justiça, dar a esta Presença assim manifestada, o nome de Cristo, que a Umbanda chama de Oxalá. É esta força, é esta luz divina que, sob a forma de Jesus-homem, ensinava e curava. O encanto raro do Seu amor soberano se espalhava em torno de Si como raios de sol; a magia terna de Sua sabedoria de beleza tornava mais puras, nobres e belas as vidas que entravam em contato com a Sua; pondo em jogo as forças do espírito puro, curava numerosos doentes pela palavra ou pelo contato, reforçando as energias magnéticas do seu corpo imaculado com a força irresistível de Sua Vida interior. O Oxalá, o Cristo é, portanto, uma vibração gloriosa que inundou, por três anos - do batismo à crucificação - o corpo de Jesus, Aquele que alcançou a perfeição da evolução humana. A vibração de Oxalá habita em cada um de nós, porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É o Cristo interior, e, ao mesmo tempo, cósmico e universal; O que jamais deixou sem resposta ou sem consolo um só coração humano, cujo apelo chegasse até Ele; O que procura, no seio da humanidade, homens capazes de ouvir a voz da sabedoria e que possam responder-Lhe, quando pedir mensageiros para transmitir ao Seu rebanho: "Estou aqui; enviai-Me". OXOSSI Oxóssi é a Natureza, especificamente nas matas e no reino animal. É o conhecedor das ervas e o grande curador. É a essência da nossa vida. Seu filho tem um tipo calmo, amoroso, encantador, preocupado com todos os problemas. Um grande conselheiro pelo seu gênio alegre, muito embora com forte tendência à solidão. Incapaz de negar qualquer ajuda à alguém, sabe, como poucos, organizar o caminho para as soluções complicadas. Com respeito à sua própria organização familiar, é muito apegado as suas coisas e à sua família, à qual dedica atenção total no sentido de provê-la e encaminhá-la. Diante as dificuldades próprias é muito hesitante, mas acaba vencendo, sustentado pelo seu interior alegre e otimista. É carente. Não assume o problemas dos outros, mas fica lado a lado ajudando-os. Ama a Liberdade e a Natureza. O mato, as águas, os bichos , as estrelas, o sol e a lua, são a bússola de sua vida. Não discute a fé. Acredita e é fiel seguidor da religião que escolheu. Não é ciumento e muito menos rancoroso. Quando atacado custa revidar. Quando o faz se torna perigoso. É, neste particular, ladino como os índios. Pisa macio, mas é certeiro. Tem um gosto refinado. Gosta das coisas boas, veste-se bem e cuidadosamente. O filho de Oxóssi é talvez o mais equilibrado. Para que sua vida melhore, deve despertar aquele gigante que habita sua essência, o que o tornaria mais disposto a encarar as suas próprias dificuldades. OXUM O filho ou filha de Oxum, a Rainha da Água doce, dona dos rios e das cachoeiras, carrega todo o tipo de Iemanjá. A maternidade é sua grande força, tanto que quando uma mulher tem dificuldade para engravidar, é à Oxum que se pede ajuda (pelo Amalá). A diferença maior é a vaidade. Filho de Oxum ama espelhos (a figura de Oxum carrega um espelho na mão), jóias caras, ouro, é impecável no trajar e não se exibe publicamente sem primeiro cuidar da vestimenta e a mulher do cabelo e da pintura. Normalmente tem uma facilidade muito grande para o choro. É muito sensível a qualquer emoção. Talvez ninguém tenha sido tão feliz para definir a filha de Oxum como o pesquisador da religião africana, o francês Pierre Verger, que escreveu: "o arquétipo de Oxum é das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que as de Iansã. Elas evitam chocar a opinião publica, á qual dão muita importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora, escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social". Seu maior defeito é o ciúme. XANGÔ Xangô, o Deus da Justiça, Senhor das pedreiras, exerce uma influência muito forte em seu filho. Todos os Orixás, evidentemente, são justos, e transmitem este sentimento aos seus filhos. Entretanto, em Xangô, a Justiça deixa de ser uma virtude, para passar uma obsessão, o que faz de seu filho um sofredor, principalmente porque o parâmetro da Justiça é o seu julgamento, e não o da Justiça Divina, quase sempre diferente do nosso, muito terra. Esta análise é muito importante O filho de Xangô apresenta um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero. Sua fisionomia, mesmo a jovem, apresenta uma velhice precoce, sem lhe tirar, em absoluto, a beleza ou a alegria. Tem comportamento medido. É incapaz de dar um passo maior que a perna e todas as suas atitudes e resoluções baseiam-se na segurança e chão firme que gosta de pisar. É tímido no contato mas assume facilmente o poder do mando. É eterno conselheiro, e não gosta de ser contrariado, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalma-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita. Não guarda rancor. A discrição faz de seus vestuários um modelo tradicional. Quando o filho de Xangô consegue equilibrar o seu senso de Justiça, transferindo o seu próprio julgamento para o Julgamento Divino, cuja sentença não nos é permitido conhecer, torna-se uma pessoa admirável. O medo de cometer injustiças muitas vezes retarda suas decisões, o que, ao contrário de lhe prejudicar, só lhe traz benefícios. O grande defeito dele é julgar os outros. Se aprender a dominar esta característica, torna-se um legítimo representante do Homem Velho, Senhor da Justiça, Rei da Pedreira. Por falar em pedreira, adora colecionar pedras.
ENCANTADOS
A FALANGE DOS CABOCLOS Todo caboclo tem uma vibração originária de orixá masculino e toda cabocla tem uma vibração originária de Orixá feminino, mas como falange, eles (as) podem penetrar em todas as vibrações de Orixás e do Oriente. Para explicar melhor, citaremos o exemplo da Cabocla Jurema: toda cabocla Jurema tem vibração originária de Iansã, mas poderemos encontrar a mesma entidade trabalhando em outras vibrações como Jurema da Praia, na vibração de Iemanjá; Jurema da Cachoeira, na vibração de Oxum; Jurema da Mata, na vibração de Oxoce, e assim sucessivamente. É a mesma entidade, com vibração originária de Iansã, penetrando em outras vibrações de Orixás. Segue-se a relação dos caboclos e caboclas mais conhecidos na Umbanda, com sua respectiva vibração originária. CABOCLOS DE OGUM Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar, Caboclo da Mata, Caiçaras, Guaracy, Icaraí, Ipojucan, Itapoã, Jaguarê, Rompe Aço, Rompe Ferro, Rompe Mato, Rompe Nuvem, Sete Matas, Sete Ondas, Tabajara, Tamoio, Tupuruplata, Ubirajara, etc. CABOCLOS DE XANGÔ Araúna, Caboclo do Sol, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Girassol, Goitacaz, Guará, Guaraná, Janguar, Juparã, Mirim, Sete Cachoeiras, Sete Caminhos, Sete Estrelas, Sete Luas, Sete Montanhas, Tupi, Treme Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Urubatão, Urubatão da Guia, Ubiratan, etc. CABOCLOS DE OXOCE Arruda, Aimoré, Arapuí, Boiadeiro, Caboclo da Lua, Caçador, Flecheiro, Folha Verde, Guarani, Japiassú, Javarí, Paraguassu, Mata Virgem, Pena Azul, Pena Branca, Pena Verde, Pena Dourada, Rei da Mata, Rompe Folha, Sete Flechas, Serra Azul, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Ubá, Sete Encruzilhadas, Junco Verde, Tapuia, etc. CABOCLOS DE OMULÚ Arranca Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Giramundo, Yucatan, Jupurí, Uiratan, Alho d'Água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador, Caboclo Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Surí, Serra Verde, Serra Negra, Tira Teima, Folha Seca, Sete Águias, Tibiriçá, Viramundo, Ventania, etc. CABOCLAS DE IANSÃ Bartira, Jussara, Jurema, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de Luz, Palina, Poti, Talina, Potira, etc. CABOCLAS DE IEMANJÁ Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d'Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira, Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente, etc. CABOCLAS DE NANÃ Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Luana, Muiraquitan, Sumarajé, Xista, Paraguassú, etc. CABOCLAS DE OXUM Iracema, Yara, Imaiá, Jaceguaia, Juruema, Juruena, Araguaia, Estrela da Manhã, Tunuê, Mirini, etc. O POVO DO ORIENTE A vibração do Oriente não é considerada vibração de Orixá e nela não se encaixam espíritos chamados falangeiros de Orixás. É uma vibração característica da Umbanda, não existindo nas outras religiões denominadas afro-brasileiras, e que representa a inclusão da sabedoria oriental na nossa religião. É uma vibração onde geralmente se encaixam entidades de alta evolução espiritual e que se dedicam principalmente ao trabalho de cura. ESPECIFICAÇÕES DO POVO DO ORIENTE Habitat: Colinas descampadas, praias desertas; Libação: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel e baunilha em fava; Ervas: Alfazema em grãos; Flores: Todas as flores que sejam brancas e tenham miolo amarelo, palmas amarelas, palmas brancas, mosenhor branco, monsenhor amarelo; Essências: Alfazema, astragão, mirra e tâmara; Fitas: Amarela e branca; Pedras: Citrino, quartzo rutilado, topázio imperial (citrino tornado amarelo por aquecimento), topázio, feldspato ( pedra da lua); Metal: Ouro; Dia da semana: Quinta-feira; Dia da Lua: Segundo dia do Quarto Minguante; Guias: 108 contas, sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar 1 branca, 1 amarela, etc. Firma branca com pintas amarelas; Saudação: Aum! ALGUNS PONTOS CANTADOS DO POVO DO ORIENTE Trazem miçangas quando vem la de Aruanda! Trazem miçangas pra salvar filhos da banda! O japonês olha as costas pro mar Ô japonês! Ogum, Ogum, Ogum, Ogum É o nosso Tiriri São os Caboclos quando vem la de Aruanda! Trazem miçangas pra salvar filhos da banda! Ta fumando tanarim Ta tocando maracá! bis Meus camaradas me ajudem a cantar! bis Minha flor do oriente minha flor do oriá! Em cima da pedra meu bem foi passear! Em cima da pedra meu bem foi passear! bis
VOCABULARIO YORUBANO
" Vocabulário Yorubá " Algumas palavras mais utilizadas obs: a grafia está em português e não em ioruba. Animais Corpo Humano Abô e Oubikó = carneiro Coquém e Sacuê = galinha d'angola. Adié = galinha. Uabaodié = galinha, galo. Malu = boi. Aban-malu = vaca. Ifé e Olofu = gato. Akokorô = galo. Pekeié e Apepeié = pato. Exie atabexi = cavalo. Patapá = burro. Ajaú e Adiaia = cachorro Eran e Abô = carneiro. Aledá e Ledé = porco. Agutan = ovelha. Euré = cabra. Taleu-taleu = peru. Ajapá e Logozé = cágado. Adjiniju = elefante. Ouê-êyá = rabo grande. Koji = leão. Zamba = elefante. Xenimi e xenifidam = sapo. Abô-agutam = ovelha. Oguri = peixe. Eiyele = pombo. Alodé = periquito. Ohá e Dudô = macaco. Ará = corpo. Ory = cabeça. Ipakó = nuca. Etu = orelha. Imum = nariz. Iban = queixo. Irun = cabelo. Irun-ban = barba e bigode. Efin = dente. Eeté = lábios. Apá = braço. Qué = mão. Esse e Alessé = pé. Itankó = coxas. Idi-cu = ânus. Kitaba e Ebeu = vagina. Éepã = testículo. Ogungum = osso. Enum = boca. Erã e Ancê = carne. Ejé = Sangue. Euú e oju = olhos. Okan = coração. Eigiká = ombros. Obó = nádegas. Akô = macho. Abam = fêmea. Mulembu = dedo. Rivenum = barriga. Utensílios Família Ilê = casa. Ajaké e Tapacê = mesa. Jajá = esteira. Egui = carvão. Nlê = teto. Anda = rede. Tainguém = mesa. Tânta-laiá = lâmpada, luz, clarão. Jará = quarto. Aputi = banco. Ilê-ageun = cozinha. Cumbaú = cama. Idiôçu = cadeira. Ajeké-neulune = fogão. Teçu = candieiro de querosene. Odu-ikekê = panela grande. Itá = travessa, tigela de louça vidrada. Obé-farÁ = faca tridente ou garfo tridente ou lança tridente. Ikkô = panela. Obé = faca. Oberó = alguidar. Obé-nuxo-inxó = faca de ponta. Babá-nla = avó, patriarca. Babassá = irmão gêmeo. Aua-mete = tio. Okorim = esposo, marido. Yá-lé = mulher favorita. Omâm omoborim = filho. Babá = pai. Bi-egun = viúva. Okebiã = noivo. Obirim = esposa, mulher. Mô-obirim e obirim-mim = minha mulher. Exi omobirim = filha. Ya-nla = avó. Muturi = viúva. Yá = mãe. Ikobassu = solteiro. Oko-Okorim = homem. Ô-madê = menino. Tata-mete = primo. Okuamuri = casado. Vestuário Cores Axó = roupa. Ubatá = sapato. Abatá e batá = sapatos. Filá = gorro, capuz de Obaluayê. Akêtê = chapéu. Ojá = fita, faixa. Peké-pe'é = chapéu-de-sol. Axó-dudu = roupa suja. Abadê = toalha. Dudu = preto Fin-fun, mandulé = embombo e puti-branco. Obádo = verde. Eivikei = vermelho. Okâm = azul. Mucumbe = roxo. Kiobambo = amarelo. Bebidas Bebidas Omim = água. Otin-nibé = cerveja. Otin-dudu = vinho tinto. Otin-fum-fum = aguardente. Oin = mel Aluá = Brasil, refresco feito de rapadura com casca de abacaxi ou tamarindo. Xeketé = milho e gengibre. emeium = feito com epô. furá = feito com diversas frutas. Outros Vocabulários da Língua Yorubá - A - Adó = comida feita com pipocas em grão e epô. Abá = pessoa idosa, velho. Abadá = blusão usado pelos homens africanos. Abadó = milho de galinha. Abará = nome de uma comida de origem africana. Abébé = leque. Abiodum = um dos Obá da direita de Xangô. Adê = coroa. Adetá = Oriki, nome sacerdotal. Adun = comida de Oxun, milho pilado, azeite dendê e mel. Afonjá = uma qualidade de Xangô. Agboulá = nome de um Egun. Agôgô = instrumento musical feito de ferro. Ayabá = orixá feminino, senhora idosa. Aiê = o mundo terrestre. Airá = uma qualidade de Xangô. Ajá = campainha, sino. Ajimudá = título sacerdotal. Akôrô = uma das invocações e dos nomes de Ogun. Aku = obrigação funerária. akukó = galo. Alá = espécie de pano branco. Alabá = nome de um sacerdote do culto aos ancestrais. Alabê = tocadores de atabaque. Alafiá = felicidade; tudo de bom. Alafin = invocação de Xangô: nome do rei de Oió - Nigéria. Alapini = nome sacerdotal do culto aos ancestrais. Alasê = cozinheira. Alé = noite. Apaoká = uma jaqueira que tem esse nome no Axé Opô Afonjá. Aramefá = conselho de Oxossi, composto de seis pessoas. Aré = nome do primeiro Obá de Xangô. Ararekolê = como vai? Aressá = um dos Obá da esquerda de Xangô. Ariaxé = banho na fonte no início das obrigações. Arô = nome que se dá ao par de chifres de boi usado p/ chamar Oxossi. Arôlu = nome de um dos Obá da direita de Xangô. Assobá = sumo sacerdote do culto de Obaluaiyê. Ati = e (conjunção). Atori = vara pequena usada no culto de Oxalá. Auá = nós. Anon = eles. Axedá = oriki, nome sacerdotal. Axo = roupa. Axogun = o encarregado dos sacrifícios. A-ian-madê = como vão os meninos? Adupé-lewô-olorun = graças a Deus por ter conservado minha vida e a minha saúde até hoje. Alabaxé = o que põe e dispões de tudo. Alayê = possuidor da vida. Axé = força espiritual e também a palavra amém. Ayê = céu. Agô = licença. Am-nó = o misericordioso. Aba-laxé-di = cerimônia da feitura do santo. Axexê = cerimônia fúnebre do sétimo dia. Amadossi d'Orixá = cerimônia do dia do santo dar o nome. Amacy no ori = cerimônia de lavar a cabeça com ervas sagradas. Aiê = terra, festa do ano novo. Ataré = pimenta da costa. Amalá = comida feita de quiabo com ebá - angú de farinha. Abará = bolo feito com feijão e frito no epô. Akará = bolo feito com feijão fradinho, pimenta, camarão seco e frito no epô. Akarajé = o mesmo que o Akará. Afurá = bolo feito com arroz. Ambrozó = feito de farinha de milho. Abân = coco. Ajé = sangue. Ajeun = comida. Aguxó = espécie de legumes. - B - Babá = pai. Babalaô = sacerdote, pai do ministério, aquele que faz consultas através do jogo. Badá = título sacerdotal. Baiani = orixá considerada mãe de Xangô. Balé = chefe de comunidade. Balué = Banheiro. Bamboxê = sacerdote do culto de Xangô. Bé = pular, pedir. Beji = orixá dos gêmeos. Bi = nascer, perguntar. Bibá = está aceito. Bibé = está seco. Biuá = nasceu para nós. Biyi = nasceu aqui, agora. Bó = adorar Bô = cobrir. Bobô = todos. Bodê = estar fora. Bóri = oferenda a cabeça. Borogun = Oriki, aquele que adora Ogun, saudação da família. - D - Dagan = titulo sacerdotal. Dagô = dê licença. Dê = chegar. Deiyi = chegou agora. Dodô = banana da terra frita. Durô = esperar. - E - Ebá = pirão de farinha de mandioca ou inhame. Ebé = sociedade. Ebô = comida feita de milho branco, especial para Oxalá. Ebo = sacrifício ou oferenda. Edun = nome próprio. Egun = espírito ancestral. Eie = pombo. Ejé = sangue. Ejilaeborá = nome que se dá às doze qualidades de Xangô. Ejionilé = nome de um Odu, jogo do orixá ifá. Ekó = comida feita com milho branco ou de galinha; acaça. Eku = preá. Elebó = aquele que faz o sacrifício. Eledá = orixá, guia, criador da pessoa. Elemaxó = título de um sacerdote no culto de Oxalá. Elerin = um dos Obá da esquerda de Xangô. Elessé = que está aos pés, seguidor. Êpa = amendoim. Éran = carne. Êrê = as esculturas do orixá beji (dos gêmeos). Eru = carrego. Erúkéré = emblema feito com cabelo de animais, usado por Oxossi, Oyá, Egun e pessoas importantes do culto. Etu = conquém. Euá = nome de um orixá. Exu = nome de um importante orixá erradamente associado ao diabo católico. - F - Fatumbi = título de um sacerdote de ifá. Filá = gorro. Fun = dar. Funké = nome sarcedotal. - G - Gan = outro nome do agogô. - I - Iangui = nome do rei dos Exu. Ianlé = as partes da comida que são oferecidas ao orixá. Iansan = orixá patrono dos ventos, do rio Niger e dos relâmpagos. Ibá = cuia. Ibi = aqui. ibiri = objeto de mão, usado pela orixá Nanã, feito em palha, couro e contas. Ibó = lugar de adoração. Ibô = mato. Iemanjá = orixá patrono das águas correntes. Ijexá = nome de uma região da Nigéria e de um toque para orixá Oxum, Oxála e Ogun. Iká = modo de deitar-se das pessoas de orixá feminino, para saudação. Iku = morte. Ilê = casa. Ilé = terra. Inã = fogo. Ipeté = inhame cozido, pisado, temperado com camarão seco, sal, azeite de dendê e cebola. Irê = bondade. Iuindejà = título sacerdotal. Iuintonã = título sacerdotal. Ixu = inhame. Iyá = mãe. Iyabasé = cozinheira. Iyalaxé = mãe do axé do terreiro. Iyalodé = um alto título, líder entre as mulheres. Iyalorixá = Zeladora do culto, mãe do orixá. Iyamasê = orixá da casa de Xangô. Iyamorô = título de uma sacerdotisa do templo de Obaluaiyê. Iyaô = nome dos iniciados antes de sete anos de iniciação. - J - Ji = despertar Jinsi = título sacerdotal. Jô = dançar. Jobi = título sacerdotal. Joé = aquele que possui título. - K - Kaiodé = nome de uma sacerdotisa de Oxossi. Kan = um (número cardinal). Kankanfô = um dos obá da direita de Xangô. Kefá = sexto número ordinal. Kejilá = décimo segundo ( numero ordinal ). Kekerê = pequeno. Ketà = terceiro (nº. ordinal ). Kolabá = nome de uma sacerdotisa do culto de Xangô. Kopanijê = um toque especial do orixá Obaluaiyê. Koxerê = que seja feliz, e que tudo de bom aconteça. Labá = bolsa de couro usada no culto de Xangô. - L - Lara = no corpo. Lê = forte. Lessé = aos pés ( lessé orixá - seguidores do orixá ). Ló = ir. Lodê = lado de fora; lá fora. Lodô = no rio. Logun = pessoa que pertença ao orixá Ogun. Logunedé = nome de um orixá. Loná = no caminho. - M - Mariô = tala do olho do dendezeiro desfiada. Modê = cheguei. Mogbá = título de um sacerdote do culto de Xangô. Mojubá = apresentando meu humilde respeito. - N - Nanã = nome da orixá, mãe de Obaluaiyê. Nilê = na casa. - O - Obá = rei , ministro de xangô. Obaluaiyê = nome do orixá patrono das doenças epidêmicas. Obarayi = nome de uma sacerdotisa filha de Xangô. Obatalá = uma qualidade de Oxalá. Obatelá = nome de um dos obá da direita de Xangô. Obaxorun = nome de um dos obá da esquerda de Xangô. Obi = fruto africano utilizado nos rítuais. Obitikô = Xangô. Oburô = alto título da hierarquia do culto. Odê = fora, rua. Odé = caçador; nome que também é dado ao orixá Oxossi. Odi = nome de um odu, jogo de ifá. Odô = rio. Odófin = nome de um dos obá da direita de Xango. Odu = a posição em que caem os búzios ou o opelé ifá quando consultados. Oduduá = orixá criador da terra. Ofun = nome de um odu. Ogã ou Ogan = nome dos homens escolhidos p/ participar do terreiro. Ogodô = uma qualidade de Xangô. Oguê = instrumento de percussão feito de chifres de boi. Ogun = orixá patrono do ferro, do desbravamento e da guerra. Oin = mel. Oiakebê = nome de uma sacerdotisa de Iansan. Ojá = ornamento feito com tira de pano. Ojé = sacerdote do culto de Egun ou Egungun. Ojó = dia da semana. Oju = rosto. Ojubó = lugar de adoração. Oké = título sacerdotal. Okê-Arô = saudação para Oxossi. Okó = marido. Okô = roça, fazenda. Okunlé = ajoelhar-se. Olelé = bolo feito com feijão fradinho; abará. Olodê = o senhor da rua, do espaço, de fora. Olorôgun = festa de encerramento do terreiro antes da quaresma. Olorum = entidade suprema, força maior, que está acima de todos os orixá. Olouô = homem rico; senhor do dinheiro. Oluá = senhor. Oluayê = senhor do mundo Olubajé = cerimônia onde Obaluaiyê reparte sua comida com seus filhos e seguidores. Olukotun = o nome do ancestral mais velho, cabeça do culto de Egun. Oluô = o olhador, o que joga os búzios e o opelé ifá. Omi = água. Omo = filho, criança. Omolu = um dos nomme de Obaluaiyê. Omõrixá = filho de orixá. Onã = caminho. Onãsokun = um dos obá da esquerda de Xangô. Onìkòyi = um dos obá da esquerda de Xangô. Onilé = dona da terra. Onilê = dona da casa. Opaxorô = emblema de Oxalá. Opô = pilastra. Ori = cabeça. Orô = preceito, costume tradicional. Orobô = fruta africana que se oferece a Xangô. Orukó = nome próprio. Ossãin = orixá patrono das ervas (folhas). Osé = semana; rito semanal. Ossi = esquerda, ou a terceira pessoa de um cargo. Ossá = nome de um odu ifá Otin = aguardente. Otun = direita, ou segunda pessoa de um cargo. Ouô = dinheiro. Oxaguiã = uma qualidade de Oxalá relacionado com o inhame novo. Oxalá = o mais respeitado, o pai de todos orixá. Oxalufã = ums qualidade de Oxalá; Oxalá velho. Oxé = sabão da costa africana. Oxossi = orixá patrono da floresta e da caça. Oxoxö = milho cozido com pedaços de coco; comida do orixá Ogun. Oxum = uma das orixá das águas. Oxumarê = nome do orixá relacionado ao arco-íris. - P - Pá = matar. Padê = encontrar. Pê = chamar. Peji = altar. Pelebé = pato. Pepelê = banco. Peté = Comida exclusiva de Oxun. - S - Sarapebé = mensageiro. Si = para. Sòrò = falar. Sun = dormir. Tanã = vela, lâmpada, fifo. Teni = nome sacerdotal. Tô = suficiente, basta. Uá = vir. Umbó = está vindo, está chegando. Unjé = comida. Uô = olhar, reparar. Xangô = orixá relacionado com o fogo, o raio o trovão. Xaorô = pequenos guizos Xarará = emblema do orixá Obaluaiyê. Xê = fazer. Xekeré = cabaça revestida com contas de Santa Maria ou búzios. Xerê = chocalho especial para saudar Xangô, em cabaça com cabo ou em cobre. Xirê = festa, brincadeira. Xokotô = calças. Xorô = fazer ritual.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home